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29.4.07

33 anos e 4 dias depois do 25 de Abril de 1974

Eles não desistem. Assim sendo, proponho para o pórtico de tão histórico lugar um excerto do texto com o maior número de ocorrências da expressão filho da puta que conheço:

“(...) de novo a questão de saber se o filho-da-puta nasce ou se faz. de como os processos e hábitos mudam de época para época e de lugar para lugar. a técnica do filho-da-puta. novo traço distintivo seu. modo de ser próprio do filho-da-puta nacional. de como o filho-da-puta morre de muitas maneiras, e de como para ele todas são boas. de como gosta de deixar, ou até de fazer morrer os outros, e de como esse é outro traço distintivo seu. de como a sua vida só em compreensível em função da morte. de como a morte é para o filho-da-puta o verdadeiro começo. do elogio fúnebre como ponto máximo da sua carreira. (...)”
Alberto Pimenta, Discurso sobre o filho-da-puta, editorial teorema, pp. 11-12

28.4.07

33 anos e 3 dias depois do 25 de Abril de 1974

"Ce qu’on appelle l’ennui est donc, en réalité, un semblant maladif de la brièveté du temps pour cause de monotonie: de grands espaces de temps, lorsque leur cours est d’une monotonie ininterropue, se recroquevillent dans une mesure qui effraye mortellement le coeur; lorsqu’un jour est pareil à tous, ils ne sont tous qu’un seul jour (...)"
Thomas Mann, La Montagne magique, trad. Betz, M., Arthème Fayard, p.121

e assim duas medidas de tempo tão díspares acabam por se assemelhar pela monotonia que as trespassa. e passamos e olhamos mas não vemos. Porque aquilo que ao outro furtam posso ainda manter ou vir a alcançar e mantém-me no hábito de ignorar o que me é furtado. Porque aquele que cai ao meu lado, e o outro, mais à frente, permitem-me a obstinação de me manter de pé. Porque os gritos que se fazem ouvir na rua compõem o rememorar do tempo que se estende, breve, até aqui onde estamos – até quando?