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26.10.07

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Ok a minha está entre 90º e 115º .
estamos a falar de escolas certo?
Tinha miúdas e "blacks" e miúdas "blacks".
Não tinha crucifixos, tinha cartazes do maio de 68 no gabinete do conselho directivo (onde fui chamado algumas vezes, confesso) e desconfio que a maioria dos professores era comuna.
Hoje não faço ideia de como será, de qualquer modo atendendo às discussões blogosféricas dos últimos dias é um milagre eu saber usar talheres .... bom mais ou menos.... sou um bocado desajeitado.

22.10.07

Watson - Sobre testes, validações de testes, a epistemologia, o chocolate e a inteligência de alguns.

Estava disposto a calar o lobotomias para sempre mas esta merda do QI estava já a mexer-me com os nervos.
Na realidade do senso comum, e da ciência parva, falamos de inteligência como uma coisa objectificada mas cada um de nós tem um conceito muito próprio dela . Eh pá aquele é que é um tipo inteligente e tal, para logo vir alguém, fodasssss eu acho que o tipo é um banana e só diz obtusidades e tal.
Mas qual é verdadeiramente a força cientifica deste constructo – inteligência – qual é a sua coerência interna, qual é o seu Gold Standard?
Neste caso como em muitas áreas da avaliação em psicologia (exceptuando a psicopatologia) os conceitos existem per se, e é per se que têm de ser aceites. Isto porque não existe nenhum Gold standard, nenhuma outra forma de operacionalizar o constructo para além dos próprios testes que se propõem a medi-lo (de novo excepto no caso da psicopatologia- ou neste caso da debilidade). E não temos verdadeiramente nenhum Gold standard porque a inteligência não é um constructo sólido, não é um conceito sobre o qual nos possamos facilmente pôr todos de acordo durante uma avaliação por entrevista, não tem coerência interna.
Ou seja – mais simples para poder ser lido por todos– a inteligência existe? existe. O que medem estes testes? a inteligencia. O que é a inteligência ? é aquilo que é medido por estes testes.
Como é que podemos avaliar estes testes se não temos um constructo sólido ? uma das maneiras de o fazer passa por aquilo que o Luis nos explica aqui, cito:
« os testes de QI foram desenvolvidos em 1905, por Alfred Binet. Na primeira versão dos testes, os homens tiveram (em média, sempre em média) melhores resultados que as mulheres. O autor corrigiu os testes e as mulheres passaram a obter os mesmos resultados. Anos mais tarde, os testes foram re-corrigidos para que os negros obtívessem os mesmos resultados que os brancos.»
Na realidade uma das formas de validar os testes é tentar que eles tenham resultados homogéneos em diversos grupos sociais- como forma de justificar a universalidade do conceito e a coerência interna do consctruto. Ou seja – mais simples para poder ser lido por todos– para que possamos dizer que medimos a mesma coisa apesar dos grupos sociais serem diferentes.

Mas tudo isto é uma discussão de alguma forma desactualizada porque o senhor Watson inventou um Gold standard espectacular- Ter empregados negros, e o Prof Desiderio inventou outro que é o - é obviamente verdade -“Regressando ao tópico incómodo da inteligência, é obviamente verdade que alguns grupos de seres humanos são mais inteligentes do que outros” Mostrando que os filosofos de hoje em dia estão menos preocupados com as questões epistemológicas que com serem uma bela cobertura de chocolate para este movimento de gente tão inteligente e anti- politicamente correcta . O que me leva desde logo a outra dúvida qual é o Gold standard para distinguir chocolate branco de preto. Ou como o Professor Miguel perguntou “como decidiriam quem é negro e quem é branco antes sequer de começarem um estudo comparativo das inteligências (ou do tamanho das pilas, me da igual) de “negros” e “brancos”?”
Ou a mesma coisa de outra forma por Paulo Mota (sem pilas e assim...) “ apenas os restantes 7.5% correspondem a diferenças entre grupos étnicos caracterizados por determinados traços morfológicos, geralmente designados por raças. Ora se uma divisão por raças apenas dá conta de 7.5% da variação genética entre populações humanas, é uma divisão sem interesse biológico.”

12.6.07

Lisboa, 01h15

(Rotunda do Areeiro – vazia, à excepção de alguns carros que passam e de três Homens Pretos que se dirigem ao único taxi parado na praça; não chegam a entrar, o carro avança rapidamente antes que o consigam fazer;
uma Mulher Branca aproxima-se, espera também um taxi; estes abrandam na rotunda em frente à praça, olham, voltam a arrancar; à passagem do terceiro taxi livre a Mulher Branca faz sinal; o taxi pára na rotunda)


Mulher Branca (dirigindo-se aos três Homens Pretos) – Vocês estão à espera também?

Homem Preto 1 – Vai tu.

Mulher Branca – Vocês estavam cá primeiro.

Homem Preto 2 – Vai tu, pode ser que tenhas mais sorte que nós.


(a Mulher Branca entra no taxi)


Taxista Branco (irritado) – Então, chama e depois não vem?

Mulher Branca – Estava a perguntar àqueles rapazes se não estavam também à espera de taxi. Era para a Rua X.

Taxista Branco – Já estava mesmo para me ir embora.

Mulher Branca – Pois, mas eles tinham chegado antes de mim e, pelo que percebi, vários colegas seus já se tinham recusado a levá-los.

Taxista Branco – Aqui também não vinham, garanto-lhe.


(silêncio)


Taxista Branco – É o mundo em que vivemos, não é? Eles até podiam ser bons rapazitos, coitados.