28.6.07

Parasitas insanitários

“Condeno o cristianismo, lanço contra a igreja cristã a mais terrível acusação que jamais passou pelos lábios de um acusador. (...) de cada valor fez um não-valor, de cada verdade uma mentira, de cada rectidão uma baixeza de alma. Que se atrevam a falar-me das suas benesses ‘humanitárias’! Suprimir qualquer angústia iria contra o seu mais profundo interesse: ela viveu de angústia, ela inventou angústias para se eternizar. (...) ‘Humanitárias’ benesses do cristianismo! Adestrar a humanitas, para a tornar uma autocontradição, uma arte de se poluir, uma vontade de mentira a todo o custo, uma repulsa, um desprezo por todos os bons e rectos instintos! A isso chamaria eu as benesses do cristianismo! O parasitismo, única prática da igreja; como o seu ideal de anemia, o seu ideal de ‘santidade’, bebendo, até esgotar, todo o sangue, todo o amor, toda a esperança da vida; o além como vontade de negação da realidade; a cruz como emblema para a mais subterrânea conjura que jamais existiu – contra a saúde, a beleza, a qualidade, a bravura, o espírito, a bondade de alma, contra a própria vida...”
F. Nietzsche, O Anticristo, Publicações Europa América, pp. 131-132

Este vampirismo vicioso que se alimenta da culpa, gera mais culpa, para dela se continuar a alimentar, encontrou num projecto norte-americano um instrumento poderoso. O projecto chama-se Rachel’s Vineyard ou, na sua versão portuguesa, Vinhas de Raquel e tem como objectivo ajudar as famílias a ultrapassar a perda causada por um aborto. Sediado na Igreja Nossa Senhora do Carmo no Alto do Lumiar, conta com o apoio de uma ‘psicóloga’. O ‘processo terapêutico’ passa pela participação em retiros de oração, pelo dar um nome à ‘criança’ que não nasceu e pedir-lhe perdão: “Aqui estou perante Deus Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento; aqui estou perante ti - António - que vives com Ele nos Céus. (...) Gostava de pessoalmente te pedir perdão por te ter impossibilitado a experiência de viveres na terra; eu cometi esse grave erro e por isso lamento muito.”
É lamentável, é triste, é pornográfico, e é criminoso, principalmente da parte de supostos técnicos de saúde mental que, sem qualquer tipo de escrúpulos éticos, assim exploram e multiplicam a miséria alheia.
Este vampirismo vicioso que se alimenta da culpa, gera mais culpa, para dela se continuar a alimentar, precisa do aborto clandestino, precisa do pecado de certas práticas sexuais consideradas ‘insanitárias’. Cá para mim, este frenesim criado em torno da sodomia estará a preparar terreno para outros ‘beneméritos’ projectos cristãos made in USA (tipo isto). Agora percebo porque é o embaixador dos Estados Unidos em Portugal, quando questionado acerca do que mais gostava no nosso país, respondeu: “My favorite thing about Portugal is that the Portuguese genuinely love Americans and they think like Americans.”

1 comentário:

Pete disse...

O Anticristo do F.Nietzsche é uma obra que tentarei ler. As religiões e todo o aproveitamento que tiram delas vão sendo espelhados nesses programas levados a cabo por, como você bem diz, Filhos da Puta sem escrúpulos.